Farsa Bípede- Bem- vindos de volta

terça-feira, 20 de junho de 2006

teste
enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 22:33:45 . Por Favor[0]
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sexta-feira, 4 de junho de 2004

O quê?!

Não, não quero um café em família!
Foi por isso que me acordou? Devia desfazer esse mal...
Ou acreditas que me aprazem os olhos abertos nessa condição? Ver esse mundo desgastar ao redor da minha cama e se transformar numa dor de cabeça quando desvio o olhar dele?
Não, não é.

Eu?
Quieto?!

Nada há de errado, exceto uma pedra de tropeço, acho que aqui, entre a traquéia e a boca, impedindo que eu transforme essa dor de ferro negro do peito em lágrimas nos olhos. Sei que demoraria, mas desgastaria as pontiagudas extremidades dela, ao menos...


Lutar contra... como?
Você deve estar brincado!
Essa força que me sobra nas pernas vou usar pra correr de mim mesmo, quando me for aberta uma passagem.
Porque, você sabe, cá entre nós: o extremo do introspecto é a morte...


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 14:26:28 . Por Favor[8]
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sábado, 15 de maio de 2004

Não necessariamente onde, mas como, fazendo o que?

Carregando na memória um machado, nada mais.

Comendo seu coração frio.

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:26:36 . Por Favor[4]
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segunda-feira, 26 de abril de 2004

E agora?

Derreto mais um dia na expectativa de um outro melhor?

Quando esse vai chegar?

Tem alguma previsão?

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 11:05:16 . Por Favor[4]
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segunda-feira, 22 de março de 2004


Intercalando interesses, a mágoa se contrai num vão de fronha dobrada pelo rosto suado, acordado de um pesadelo inóspito.
Convém esperar, porque nunca se sabe quando arrombarão nossa porta aqueles olhos.
Contudo... convém agir, pois ninguém agüenta esperar pra sempre, muito menos num dia frio como esse.
Convém aguradar a decisão, que vem da parte inacessível do cérebro, onde ficam as verdades. latejando; ou forçá-las a sair racionalmente: o que dói na cabeça...

pulso aberto
pulso seco

"vida"é um acorde dissonante e breve pela manhã...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 11:18:13 . Por Favor[8]
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Chega a ser engraçado o sentimento
emanado pelo peixe que beijei,
tal criança em meu colo

Um corpo nu e outra boca saborosa,
Tranquilos depois de solicitar o serviço de envenenamento de maridos covardes e roubar dois copos de café

Sinto o cheiro disso tudo, ainda...

À meia luz sua intenção foi alterada pra o meu lado, à cama

Venha me ver mais vezes.

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 10:23:26 . Por Favor[6]
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004

Quando teu estômago torce, procurando onde se apoiar nesses movimentos
E as mãos não param de tremer,

Quando acabou mesmo a Rua da Vida, e atrás vem o felino missionário

Quando olhas pros lados e vê que quase nada vê,

Quando o sangue parece esquentar feito um magma abafado pela epiderme
E a bússola do senso roda feito louca,

ficas ansioso...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:36:23 . Por Favor[1]
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2004

Até onde chega a visão de uma entre várias tristezas em forma de Pedra

Quem é você?
Que largou tudo em prol do mais fácil? Sua fantasia favorita de sexo com Freud
na sua linguagem favorita?

Quem é essa boca fácil?
quem são esses olhos rasos
e essas mãos insinceras...
Faça- me o favor, sim!?!

Que tanta explosão vazia, minha amiga!
vida tanta desesperada em voltar ao cerne do descohecido, por medo de sair do estado de ventre-comida-na-boca.

Isso, minha amiga é deficiência.
Não a falta de um dos teus braços que molhas em lágrimas
Ou de um amor que nunca te disse a verdade "por te amar demais"...

Sabe o que eu quero com tanto amor?
Sabe o que eu vou fazer com ele?

Vê aquele ralo ali?
Vê, né?

Mas não vê através dele.
Vê?


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 11:52:08 . Por Favor[5]
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2004

Não!
Comecemos por hoje
Leve suas cores que eu não preciso delas

Guarde suas lágrimas de volta aos seus olhos
E teu sorriso noutra pena
Leve essa situação

Vê como reage, Criança,
A uma sensação nova?
Se pudesse, eu sei que escolheria
Nascer sobre toda a penumbra

Não, não há sangue no seu rosto
E o seu brilho me enjoa há tempos
Vá, não se ancore mais aqui

(Disse todas essas palavras com muita calma, e foi dormir quase sem consciência, de tão leve.
A Lua, por sua vez, não respondeu nada. Só nunca mais abriu aquela janela)


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:43:58 . Por Favor[0]
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terça-feira, 6 de janeiro de 2004


barata...

Sabe aquele carinho que lhe faltou na infância?
Aquela auto-estima que só um pai conseguiria lhe dar e que fez tanta falta como a fome aos que têm fome?
Te recorda a sensação cobiçada no primário da escola, de ser o campeão dentre a turma?
O ar de vencedor que lhe foi barrado devido às fraquezas físicas?
A devida honra simplesmente por ser um homem?


Pois bem, algo próximo disso deve logo chegar ao teu cérebo...


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 16:14:37 . Por Favor[2]
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terça-feira, 16 de dezembro de 2003

Era clara.

dizer macia

seria pouco

dizer perfeita,

chegaria perto...

Fina, sedosa como um bem-estar matinal

Ou um toldo de vitalidade

ai...

Que mãos!


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 11:43:02 . Por Favor[1]
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

"She was could to the death,

Screaming for the deaf"




I



Ao contrário do que pode parecer,

Os cabelos vermelhos são frios.



São frios os fios despontados e a força sutil



Provavelmente, o é seu corpo todo...



deus queira que não...



II - O Sonho



Tua fala inspiradora

Me põe para dormir mais tarde, a sonhar contigo.

Como naquele dia do zoológico

Ou do parque comunitário, não sei ao certo agora...



III - Costello



Se "alguém levou as palavras embora",

Foi você com seu ouvido.



Que fosse com a boca



Tua segurança silenciosa

deveria abocanhar-me o pescoço.



IV - Coltrane



Coltrane fez você chegar

O ouvir

Me beijar

Me deitar

Me abraçar

Me presentear contigo (com você)



Me morder

Me sorrir

Me acordar

Ver- te ir



V - O Sabor e o Riso



Porque saboreio tanto teus lábios

Se eles não estão nem por perto?



Deve ser pelo mesmo motivo que me deixas rindo sozinho...




enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 16:56:10 . Por Favor[3]
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Sobre alguém que poderia ser um amigo, mas é um otário



Sabem quem eu vi hoje, pela manhã?
O Caetano Veloso.

Sim, aquela lesma prepotente com o queixo moderno metido a intelectual-classicista-merdista-esperto.
E ele me cumprimentou com os olhos de quem tem as pernas quebradas pelo orgulho que retorna.
Sim, com esses olhos mesmo.

Adorei vê- lo indo embora com o rabo entre as pernas, dentro da sua calça larga.

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 16:55:52 . Por Favor[0]
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Notas sobre uma viagem

Curitiba

Que não tivesse a frustação de um sentimento supérfluo,

Ou

Que tivesse um filho que deixasse os pais pareceidos.

II

Se tocares seu vioão na rua,
Serás atropelado

Se tocares uma guitarra amplificada na rua,
Serás atropelado

Se tocares um violino na rua,
Certamente, serás atropelado.

Mas,

é incrível como os carros e as pessoas respeitam um surdo...
Incrível

III

Cabelos vermelhos também não gostam de trabalhar
E tomam café
Para esquecer.

Eu tomo café para saborear o féu.

IV

Por que a música pela música
se podemos ter a ação dentro da reação?


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 16:54:44 . Por Favor[0]
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2003

Se os dias fossem fortes como a alma de uma árvore
Ou se as estampas das pessoas não estivessem em seus rostos
Se a verdade desse um grito, de fato, sarcástico

Eu riria dessa minha cara triste

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 23:02:16 . Por Favor[0]
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quinta-feira, 9 de outubro de 2003

A morte, então,
Tem esse gosto de sangue
Porque estão quebrados todos os dentes da minha boca

Tem essa dor oca e espaçosa,
Como os hematomas em meus braços e pernas

Esse cheiro de asfalto quente,
E esse quadro de curiosos...
Não são mais solidários que curiosos

Ainda, esse peso no peito
Que eu me sinto de ansiedade pisado.

A morte,
e eu...

Como estamos próximos!!!!

(pensou esse último verso enquanto entrava na viatura, ileso)

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 09:53:19 . Por Favor[3]
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quarta-feira, 24 de setembro de 2003

Minha força vem de um mundo que não é bem mundo...
Nos ombros de uma entidade desonesta, a cerca de uma carniça sentimental e crises em penumbra falsa
no colo de uma mãe irresponsável, com os olhos sujos como a alma, em prol da omissão de valores desenvolvidos superficialmente
Vem nos dentes de um boneco amargo que brinca com uma criança morta às mãos, e sana o tédio nos últimos suspiros da pouca vida sua.

Passa por uma colina fria e rija e escura e larga, mas passa mal por que roça as asas em rochas sangrentas por estarem velhas e raivosas
Sobrevoa um vale quente e soberbo dentre as palavras erradas e não-intencionadas de pessoas não-conhecidas-e-destratadas
Por estradas de ansiedade e construções a base de medo e... falta de explicações em meio a termos empapuçados de má-vontade

Por não sentir vontade de estar ou de sentir vontade de sentir
De razão fácil, de choro morto, de alma crua
Mas não vê numa possibilidade inviável falsa e coitada o apoio da falta de virtudes e o excesso de aspirações imbecis.

Minha força vem de mim e vai para você,
quem quer que você seja


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 12:27:40 . Por Favor[5]
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quinta-feira, 18 de setembro de 2003

A Máquina dos Risos

Dez dedos que se juntam em duas mãos cheias de medo
Membros de um corpo composto por dúvidas,
Regido por uma mente em desespero

Uma mãe com seu filho prematuro sente o frio a ranger os seus dentes
E a água outrora confortante agora corta suas gargantas
Tornando a fome e a vida independentes

Nesse processo de tristeza degradante
Cada valor dura menos que um segundo
Até um gênio socialmente recusado
Desatole o podre mundo

Mas traz até mim os sofredores,
Sim, toda a raça humana:
Essa é a Máquina dos Risos
Bem de tecnoloia acessível
A qualquer cidadão, qualquer nível,
A Máquina dos Risos

O fim da carência dos medicamentos
E das causas para lutar
Do labor de cada dia
Não vais mais precisar

E que toda guerra seja cancelada
Quando houver bons motivos para risadas

Traz até mim os sofredores,
Tão penosa a alma humana
Essa é a Máquina dos Risos
Bem de tecnologia acessível
Qualquer cidadão, qualquer nível
A Máquina dos Risos

É minha a Máquina dos Risos


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:20:23 . Por Favor[3]
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quarta-feira, 10 de setembro de 2003

Ele era forte
Tinha um brilho verde nos olhos
Um peito auto-confiante
e o braços espessos, procurando a próxima dama

Tinha planos que davam certo,
uma inteligência aceitável...

Era bonito, seguro, forte.
Devia ter um belo pau também

Não perdia tempo com reflexões que pareciam destrutivas, mas que só terminavam com um pouco de auto estima e orgulho secreto.

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:05:14 . Por Favor[5]
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segunda-feira, 8 de setembro de 2003

A minha opinião???

Um sucesso!


Shauan, Troll, Alessandro, bandas, Valmir, Ricardo
Parabéns!!!

Pra quem não foi, meus lamentos



Não sei se posso, mas creio que devo:
Carta de confissão:
O Erro

Eu que sou o erro
Carrego em meu cerne o mal
Sou eu o próprio mal...
A eternidade do que carrego comigo
É minha maldição de testemunha eterna,
Tantas coisas já vistas...
Mentira!!!
Não somente presenciei, fui e sou eu o agente de toda a desgraça

Dizem ter sido Nero o incendiário de Roma...
O inocente Nero não foi páreo para minha sede de fogo... eu fiz aquela gente arder!!!
E se Lutero reformava, eu levava o fogo da rivalidade para hoje a Irlanda tremer
Eu que faço maldita a Terra Santa prometida aos povos de Israel e Ismael
Ainda ali, dei o primeiro grito por Barrabás
Na China, marchei contra o povo na Praça da Paz
Da África vieram acorrentados os negros para aqui serem maltratados... quem acham
que os trouxe?
E quando Hitler na prisão se preparava para tomar toda a Europa
Na velha bota era eu que gerava o vinho no copo de Il Duce
E quando os europeus decidiram fazer a América
Criei para eles belas redes de fast food e altas torres que alimentaram o orgulho
Agora mais do que nunca entulho...
E, como deve sempre ser, eu disseminei o vírus mortal
Que faz todos repensarem a conduta sexual
Como se não bastasse, sou responsável pelo sensual marketing que se espalha mundo afora
Se é que pensaram poder escapar de minha armadilha... ah ah ah!!!

Enfim... não há maior mal que eu tenha perpetrado...
Esqueci-me do amor por todas as minhas vítimas,
Os miseráveis da África, da Ásia, da América... pior que uma latrina...
Amor por um planeta agora claustrofóbico, cheio de tanta gente pior que vocês que estão aqui
Porque vocês comem, bebem, fazem amor, coçam o saco...
Há gente que eu privei de tudo isso!!!
Amor por um planeta agora melancólico... amor, este termo tão utópico...

Esqueci...

e não me sinto nada mal com isso!!!

________________
O texto original vocês encontram no link de palavratômica


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 19:12:28 . Por Favor[4]
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sexta-feira, 5 de setembro de 2003

Agradece

Havia um fundo negro na cabeça do menino triste.
Era uma textura pobre, honesta e ríspida, como as coisas mais certas na vida- ou a própria morte.
Ele hora caminhava para um lado, hora não caminhava. E cambaleava sempre...

Tinha maus modos,
Má-voz,
mals-textos
mal-criações
mal-vistas
"Desamores",

Mas tinha uma que sempre lhe sorria

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:58:18 . Por Favor[1]
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segunda-feira, 25 de agosto de 2003

À Senhora

Sonhei contigo essa noite.
E era como nos outros devaneios dos meus sonos: Somente eu sabia que ainda- ou de novo- estavas viva. E a senhora sempre frisava a importância de eu me manter calado; de manter aquilo em segredo que, na hora certa, quem precisasse saber, saberia...
E tinhas uma verdade tão pura nos olhos que, pela primeira vez, eu não soube que se tratava de um sonho até o estrondo da manhã. Era a senhora, com certeza!
Me lembrava daqueles dias de planos vazios arquitetados por uma criança carente e preguiçosa. Que ainda assim recebiam todo seu apoio e, além disso, críticas sutis que levavam esse bobo a pensar um pouco mais, sem o impacto de um conselho adulto e chato.
Lembro tão bem do teu cabelo, liso e cortado como o de um menino, e da vez que o pintou com aquele monte de barro, lembra? E ficou tão bonito! E tão natural que já era impossível imaginar o que era a senhora sem aquele cabelo novo.
Foi ótimo ter passado a infância ao teu lado.
Me nutriu de sonhos, vontades e até certa rebeldia utópica. Pois sempre me bateu a impressão de que eu precisaria esconder bem as coisas que eu realmente queria. E não que me encobrisse tudo, mas uma coisa ou outra me era permitido. Isso me supriu de esperança. E me cresceu assim.
Tinhas uma voz segura, mas sem ser arrogante. Tinha certeza de tudo, e capacidade de voltar atrás. Era a proporção livre da nossa família.
Por isso, meu tio ator e minha tia pintora sempre se apoiaram em ti. Pois sabiam que uma extensão de vida além de um escritório e um casamento poderia encontrar encorajamento na tua segurança: de mãe e de engenheira.
Nada a incomodava mais que as fofocas escrotas das suas vizinhas. E como brigava pelo neto que criava! "Nunca foi ele quem quebrou sua janela!" "Nem ele passou bosta na sua fechadura. Velha chata! Vá arrumar o que fazer..."
E quando a vizinha sexualmente frustrada ia embora ela ria: "Moleque sem vergonha. Não faça mais isso!... mas foi engraçado, você viu a cara dela?"
Sim, de lembranças assim são feitas as imagens que me vêm à cabeça. E o riso é inevitável! Com certeza me salvara de uma existência muito mais complicada.
Lembro também de assistir à novela na tua casa e que sempre ouvia análises cuidadosas das personagens e do seu histórico naquele roteiro. Eu, já mais velho., também arriscava entender a cabeça daquelas pessoas forjadas, mas que convenciam tanto. Principalmente sob seu aval.
Pode parecer ironia e não me lembro agora o nome da doença rara que tinhas. Mas eu sei que o seu coração ficava cada dia maior...
Na realidade, você foi enferma quase durante toda a vida. Mais ainda após os trinta, que eu sei. Mas só nos últimos dois meses você começou a falar mais baixo, passear menos e rir pouco.
E nada foi mais reconfortante do que as últimas palavras que ouvi saírem da sua boca, naquela visita já tardia ao teu quarto no hospital, Quando disse: "A gente se entende né?".
Aquilo me absolveu de toda a minha desatenção quanto ao teu atual estado. E mostrou que não tinhas nenhum rancor. Sabia que eu tinha mais era que viver a minha vida. E que as velhas doentes que se fodam! No fundo, sei que foi exatamente nisso que pensou.
Acho que também foi por isso que eu não me surpreendi com a tua morte. Eu a vi no dia em que baixou o volume das tuas piadas. Ela parecia estar ali, do nosso lado, dividindo o mesmo sofá; prestando atenção na conversa e lançando olhares de breve impaciência para mim, principalmente.

Bom, eis pouco do tudo que sempre quis lhe dizer.
Que a tua morte deixe sementes de apoio aos que virão na nossa linhagem rústica e permanentemente descontente.
E espero que leias essa carta que eu nunca escrevi

Com muito amor

De seu neto

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sábado, 23 de agosto de 2003

Por favor, amigos,

Não deixem de denunciar os erros de digitação...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:50:02 . Por Favor[1]
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quinta-feira, 7 de agosto de 2003

Dilacerado

Como a Síntese do terror sobre um homem só
Os pecados cobrados todos de um vez
E a dívida com a infância, período de formação
dum homem já cansado

De si

Atrás da solução que ele sabe, vai custar a vida toda
e talvez mais um pouco,
deixando marcas na sua descendência
Tão deficiente e mais agravada

Que ele

Mais tolerante, mais contente
Mais acomodado,
Mas insatisfeito e com lágrimas acumuladas
numa fila sem fim

No SEU âmago

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 10:48:03 . Por Favor[7]
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quarta-feira, 6 de agosto de 2003

Mais um dia derrotado pelo ego.
Aliás, não só um dia, mas uma pequena eternidade, sob a força da imbecilidade...
É assim que ele vai dormir: com medo dos hormônios e da alienação concentrada, atrás de um texto bom e tarde para ir trabalhar amanhã.
Não quer brigar com a arte, não hoje. Quer o reconhecimento (falso)daqueles que ama. Se sente fraco, às vezes forte demais. Lembra-se do atual vegetal, ou animal, ou fungo; que o inspirou num momento pareciso com esse.
Vê na contradição em que, uma vez que o mundo é cíclico, também orientalmente começa de novo (e é esse o ponto, o ponto é esse),as respostas para um tédio que só vem à tona quando lhe convém (Tédio). E liga isso ao mais puro e belo ódio inato: à falha de um homem ante o mesmo.
É assim que ele vai dormir: com medo dos hormônios e na alienação concentrada, atrás de um texto bom que não virá até amanhã.

Ouvindo o mundo queimar até a morte

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 17:28:10 . Por Favor[1]
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terça-feira, 5 de agosto de 2003

Ela não gosta do que ele faz (para ela).
Então ele vai chorar,
Mas para ninguém no mundo
que o mundo está cheio de choro
e ele não quer transbordar
Mar de sangue algum
Mas ela gosta dele, não leva, mas gosta

Como não levo, ó Meu?
Se tudo o que faço é em prol de ti e
acima de tudo de ti?
Que faço os laços mais perfeitos
Com os risos mais molhados
Que saem de mim sem eu envocar?
Não é isso o que queres?

Não! Não é o que quero, Minha!
Eu quero que aprecie-me
Aliás não a mim, mas o que posso fazer.
E faço bem! Vê minhas jóias?
Pois aprecie as jóias, Por que não?
Nunca vi mulher no mundo que nao goste de Jóias...
Por que logo tu, Criatura?

Mas já não faço bem ao teu ego em tudo o que faço?
Queres apenas mais um pouco, é isso?
Pois arranjo facilmente. Tudo por ti, meu bem, tudo...
Mas não me deixes, isso não
Que a solidão liquida minhas fraquezas uma a uma
E fora isso, Ó Amor!
Fora isso podemos arranjar.

Não é assim tão facil, Querida.
Pois o que preciso de ti não posso ter
Nem o que preciso posso querer
Pois que cresça eu, minha flor
E que não sofras os males de um homem malfeito
Que isso não mereces, Querubim
Isso não

Teu conflito, só teu, Amor
Respeito sem entender
Mas se é o que pedistes, que tenha a separação
E volte para mim
Um homem mais forte no fim

(Foi a mais bela declaração de amor que ele havia recebido até agora)

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:30:42 . Por Favor[2]
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sexta-feira, 1 de agosto de 2003

Diz sim ao mestre, vírgula;
ele é o mestre, vírgula;
tu estás na terra, sem vírgula,
para te submeteres
ou para te calares.
Vamos, repete:

Diz sim ao mestre,
o mestre já te disse para
pores a pinta no i.
Ele é o mestre.
E o m, desta vez sem maiúscula,
importante, lembra-te, vírgula.
Tu estás na Terra, um e e dois rr,
Para te submeteres. A quem?
Ao mestre, c'os diabos
ou para te calares, cala-te.
Cuidado com os dedos e
ponto final, meu menino,
atenção à tua nota.

Repete: Diz sim ao mestre...
Diz sim ao mestre...

A verdade ensina-a ele nos seus ditados.
Escutem, respeitem o mestre.
Ele tem... ele sabe, ele pensa
logo seguimo-lo, invejamo-lo,
porque ele é o mestre.
Ele sabe tudo, ele pensa por nós.
É o guardião seguro da nossa cultura.
Nós somos imbecis
ele é o evangelho.
Filhinho, é preciso escutá-lo,
se não, onde vamos parar?

Repete: Diz sim ao mestre...

(Michel Fugain)

Créditos a esse site brilhante e preciso:

Dicionário de Filosofia


enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 16:38:14 . Por Favor[2]
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quinta-feira, 24 de julho de 2003

Corrida

Deram a largada então: Pai e Filho
E o pai ganhou

Porque era mais forte
Porque era maior
Porque era mais velho
Porque seu cavalo era branco

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 18:00:00 . Por Favor[11]
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segunda-feira, 7 de julho de 2003

Meu êxtase

À magnanimidade do meu êxtase
À autoria do meu prazer
A esta que é a dona do meu pouco orgulho
E residente da minha vontade

Sim, a você!
A minha Dama Perfeita
A minha tarefa ante ao belo
E meu dever no teu anelo

Ao teu sorriso,
Ao teu coração mais pulsante
E os seus olhos- Sim, os seus olhos!...
Límpidos convites ao infinito

Ao riso que acalma mil mortes
E mil vidas mal vividas
Que eleva o mar à fúria
E abranda as mesmas águas poucos segundos depois

À tua voz cansada, mas tão bem articulada
Tão forte e tão suave
Tão leve e tão grave
Clebrando a noite quente à minha mente
E a libido tranbordada

Ao teu corpo pequeno e perfeito
Tua pele clara e implorante
Por um toque, por um instante
De amor , mesmo que rarefeito

Aos seus cabelos, cachos de ternura
Que pairam sobre minha cabeça em momentos intensos
E massageam meu rosto em fulgor imenso;

Ao teu ego, minha armadura
A ti, criatura
Dos céus e dos infernos
Dos cais
Dos canais
Dos bacanais
A ti, meu poder fora entregue...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:52:01 . Por Favor[9]
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sábado, 5 de julho de 2003

Escrita automática hiperpessoal ao som de From Ashes Rise

Nada como uma inspiração caótica para uma vida caótica.
Cansado de rimas de bem pensares e bem dizeres e bem quereres, odiando os pseudointelectuais em volta de quem os quer mortos, por não ser como eles, por ser assumidamente burro, estúpido, um animal poco racional. Mas um poco sim, senhor.
Inovar, depois de muito trabalho interno e externo, pôr para girar a porra da roda da história.
Matar aquele que não satisfaz a sua mãe e seus irmãos, todos de alma, acima de tudo. Quando um deles interrompe o exercício desse texto para falar do seu CD.
O teclado é escuro, velho. Sim, velho. Já existe computador velho nesses dias e pela primeira vez ele não se sabe se é verso ou se é prosa. Um avanço, o outro um atropelo.
Integriade, uma palavra que não sai da sua cabeça, ele começa a olhar e achar o texto horrível, mas não para de digitar o que, com certeza vai ao ar com diversos erros de digitação e alguns acertos de sintaxe. Foda-se essa e a outra também. Sem mais no que pensar, ponto parágrafo.
Porra, por que o mal é um erro? por que ainda empregam essa palavra? Acho que é porque esperam que o parágrafo termine com aquela que é o seu contrário. Não devia ser o contrário, Nem ser o que é... em todo caso, não vou dar esse gosto pra ninguém: mal mal mal mal mal mal, só mal.
Os copos d'água são SEMPRE breves arrependimentos, ou se prefererir, são reflexões profundas que se ligam uma na outra, sem saber onde se começam ou se se respeitam.
Parágrafos aleatórios, esse será o último, porque no dia em que aprender a prestar atenção em alguma coisa, levará um raciocínio ao encontro do outro como a boa prosa ao invés do verso falho. É o que ele faz às vezes. Mas não por querer. Apenas por deixar o inconsciente o puxar pelo colarinho. Outra vez olha pros lados e veque a vida é um final de julgamento, sem saber o que significa, que espera o sedativo da ilusão, do trabalho, da razão, da trepada, do choro da alegria. Tudo para encher esse buraco eterno, com um fundo que não leva a lugar algum com a mão na boca, feito uma criança suja, sublimado como todo o resto que ainda não subiu pra mente cansada de quem ainda é muito novo para ser radical desse jeito. Mas não é radical. Analisando a si mesmo, percebe que o problema é expressão. E por isso gosta das pessoas: pra aprender o que elas já sabiam enquanto cresciam. E se não tinham nenhuma beleza, Pelo menos essa elas tinham. Cada uma do seu jeito, mas tinham. Ele não cresceu, por isso não viveu. Por isso não quer morrer. A regressão começa sozinha, percebe? Deve estar pensando em uma música que tinha ficado na cabeça e que veio à tona ou por causa do From Ashes Rise, ou porque já teve uma reflexão parecida. E depois lembra do dia, das pessoas, do local, dos risos, do ódioe quer esquecer tudo denovo, aguardando a próxima música. coça a cabeça e você: VOCÊ leia um pouco mais devagar agora: Conclui que a data do fim do mistério do tudo é a data do fim da noite clara e da luz guardada dentro do cofre do destino, às 12 chaves, embaixo da cama do reique dorme mas tem o soono leve e é o dono daquela casa gigante do tapete negro, lindíssimoque embaixo guarda um buraco assombroso que sabemos que existe, mas que está lá para ser esquecido, talvez ignorado, talvez caído. Quer saber? Dance em cima dele... Por que a fome de ser idiota é a mesma de ser um outro homem. E de ser um homem que aionda não existe: TÁ AQUI! É disso que eu queria viver, mas às vezes esquece disso e pergunto uma coisa que já teve a resposta umas quize vezes, fazendo voltar ao problema da atenção. Lembra? Eu quase esqueci.
Que a força esteja com os deuses e que o silêncio esganice as profecias do NÃO, a fim de levar a humanidade com elas e não levar nunca ninguém a lugar nenhum fora a ortodoxia!!!! Fora dessa, onde os domínios do pensamento nada podem, há monstros de todos os tipo, em todos os lugares, menos aqui. Você já deveria ter voltado a ler rápido faz tempo. Desculpe...
Mas começando tudo, ele escolheu aquela data como o abandono do seu deus, em buisca do SEU próprio dEUs. e nunca mais voltou. Aonde está o irmão? - Qual deles?- devem responder com um riso receptivo a mais perguntas, que não sobre esse assunto. De quem não pertence nem o meu nem o seu destino. Peraí... essa carta seria perfeita para um suicídio vindouro, não? Ou seria esmolar na porta da história? Ou dos mais queridos, um perdãom e um pedido de remorso eterno. Isso não deu certo uma vez, então deixa quieto. Começou no começo, terminou no fim. Está certo?
Acabou a discografia do From Ashes Rise...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 00:57:12 . Por Favor[4]
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quarta-feira, 2 de julho de 2003

Vi naquela que era a manhã mais póstuma de todas
Manchas que assustavam e desesperavam qualquer vontade
Mesmo aquelas incentivadas
Na infância mais plena
Desfeitasm calafrios e sustos maduros

Vi cães com suas raivas para dentro
Desapreciarem em seus semelhantes o máximo que conseguiam
Num divertido conflito diário
Uma rápida troca de olhares


Por Dama Do Inverno
E Farsa Bípede

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 16:18:08 . Por Favor[3]
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sexta-feira, 30 de maio de 2003


Errado e sujo
É só o que tenho
Uma calça velha talvez
Um gole de cerveja
E outro de água suja

Leve minha alma se quiser
Só me deixe um espelho

Esticar
Aspirar
Pra minha alma arder
Sofrer
Esquecer o que você tem de pior
E outro gole n'água suja

Melhor
Ficar aqui
Sozinho
Faminto

Comendo pelas beiradas as sobras que seu estômago expeliu.

(Outro gole no copo com o feto podre...)

enviado por O Homem - O Homem de Duas Alma ás 13:56:01 . Por Favor[8]
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quinta-feira, 29 de maio de 2003


Prosa é um direito de todos:
Valéria

Ali morava Valéria, dentro daquela igreja devastada.
Seus pais morreram quando tinha seis anos de idade, no mesmo ano em que começou a ler a Bíblia. Desde então, não saiu mais de lá: ela acreditava que Deus a viria buscar num dia desses, e não queria arriscar estar fora quando isso acontecesse.
Valéria citava grandes acontecimentos, como: guerras, greves, desordem e tumultos em geral como reforço do seu argumento desde os quinze.
Quando tinha vinte e um, era o maior exemplo de fé e gratidão de toda essa cidade. E exibia isso com clareza especialmente discreta em seus sorrisos e gestos cuidadosos, inconscientemente ensaiados.
Não era difícil ver que, as comadres católicas que vinham de longe apenas visitavam os parentes pra dar uma passada na igreja e presenteá-la com flores- tão apreciadas por ela-; voltar contando às amigas que conheceram uma jovem beata. E o faziam com uma arrogância de mulher vivida. Aliás, arrogância bem típica dessas velhas malditas.
Ninguém conseguia expressar ao certo a admiração pela jovem. Talvez até por não saber exatamente que tipo de admiração era essa: abstrata e unânime.Provavelmente ela lembrava a mãe que sempre quisermos ter, ou algo profundo assim.
Aconteceu até que, certa vez, quando ia rumo ao lavatório durante uma missa, Valéria tropeçou e caiu. Quando levantara , abaixo do palco, bem no meio da igreja, um estrondo rompeu num silêncio seguido, e todos temeram pela sua segurança.
Depois de longos segundos de tensão, Valéria levantou com um sorriso de desculpas e todos respiraram um mesmo sorriso de ternura...
Valéria ajudava no trabalho de alimentar os pobres, bem como os deficientes e lavava toda a louça dos moradores da igreja.
A garota só não era perfeita porque passava muito pouco tempo na presença das pessoas. Tempo esse que não permitia uma comparação dela com a perfeição.
Mas isso não quer dizer que ela se isolava para cometer atos impuros!
Eram muito raras as vezes em que saia da vista da janela, no quarto alto; onde aparecia lendo, lendo, escrevendo, meditando. Quase como um quadro de postura, pintada pelo próprio Deus.
Ah, mas eis que um dia, quando a guerra aqui chegou, que os soldados entraram e limparam toda a igreja; e a levaram, inerme, a um calabouço qualquer.
Quando saía, era inegável que todos a fitavam com uma curiosidade solidária, mas quase sarcástica, a fim de captar sua feição . Pareciam raciocinar: "Não foi de fato Deus quem a tirou de lá. Nós sabíamos que não o seria, mas como ela se sente? Será que percebeu que toda a fé de sua vida fora em vão?" E não desgrudavam os olhos até obterem essas respostas.
Mas Valéria saiu com a calma que lhe era típica, sem um traço de tristeza, mas com a testa franzida e os olhos e sobrancelhas engajadas de concentração.
Foi o instante mais triste de todos os tempos:
Perceber que Valéria gastou a outra metade da sua vida se preparando para a decepção.

Ao menos essa não a pegava de surpresa...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 17:18:59 . Por Favor[5]
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terça-feira, 27 de maio de 2003

Os trabalhadores vão
Com sua coragem inabalada
rumo à metrópole,
Num caminhão cheio deles

Cantam
Em uma só voz
O hino da resistência

Os trabalhadores
Descem a outra semana
Em que trabalharão muito
E beberão pouco

Lá vão os trabalhadores,
E nos cruzamos nessa estrada

Porque a liberdade é dos últimos dons do homem,
Último que foi-lhe tirado
Mas em alguns casos,
Ainda não...

(bate no rosto a brisa que monta um sorriso triunfante)

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 12:48:04 . Por Favor[2]
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segunda-feira, 12 de maio de 2003

Hoje e todo dia
As crianças brincam de anarquia
E os adultos encontram a ironia
Em qualquer gesto idealista e um pouco sincero

Hoje o palhaço se pintou
E queria animar um ônibus
Mas os olhares de reprovação
O socaram para dentro de suas próprias lágrimas

O espaço vazio clama por fé
Socorro-que deus? que sério- que é?
Clama o vácuo que sempre será o vácuo

Os filhotes, as pilastras, as desculpas
Quem cair primeiro leva o outro
Quem não sabe?

Hoje, sempre, todo o dia
As crianças brincam de anarquia
Os adultos encontram a ironia
E lamentam o espelho e a desvida

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:34:54 . Por Favor[5]
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sexta-feira, 25 de abril de 2003

Menino

"O EMBRIÃO (mínimo)DA MALDADE NA CAMISA DA HUSTLER-ROQUEIRO-SAFADO-SEXUALMENTE-ATIVO-CLICHÊ-DONO-DE-BANDA-SOLO-QUASE-COUNTRY-VERSO-DE-NOVO-QUASE-PENSANDO-SOZINHO-PRÓPRIA-VOZ-NOVA-ESTÉTICA-SEM-MEDO-DE-SER-FELIZ(SAMBÃO BURRO!!!)

ATÉ JÁ...

NA OUTRA VIDA...

QUANDO OS ESTADOS FOREM MAIS DECIDIDOS!!!

E ELE TER VERGONHA DE ACHAR (ADRIAM) SMITHS SUBVERSIVO E/OU LUIS FELIPE HITLER:

CULPADO!!!!

Calado!!!!

(Depois de um profundo copo d'água)

Estados são decididos no limite da Inconclusão

Subversivos até chegarem ao poder

Não quero ser o dono da verdade,

Apenas quero matar a MINHA verdade!

Planetas são suscetíveis à mudanças trazem adaptaçõe sum dia, num canto do universoa humanidade criou-o
"conhecimento" (Longa pausa tranqüila e caótica)

Algum tempo depois o planeta teve que congelar

Inútil, TU-DO I-NÚ-TI-L TIL-TIO-TIL...

Somos apenas indivíduos(individum) divididos pela Maldita razão!

enviado por O Homem - O Homem de Duas Alma ás 12:39:12 . Por Favor[9]
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terça-feira, 8 de abril de 2003

A arte deveria deixar de existir em tempos de guerra!
As manifestações deveriam ser nada criativas,
Nada inteligentes
Talvez nem existirem...

Deveriam ser queimadas obras clássicas,
A ponto de esgotarem exemplares de Goethe, Kafka e Ginsberg
E depois chorarmos de arrependimento,
Por todo o resto duma vida ainda mais curta

Deveriam morrer as útimas almas que querem ser inteligentes,
deveriam viver só os dementes,
Aí sim,
Nos igualaríamos
Ao Estado de Necessidade Bélica

Em frente, MARCHE!!!

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 12:08:10 . Por Favor[8]
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terça-feira, 18 de março de 2003

O Último Poema Caótico Da Humanidade

Aeroportos cheios, passagens de volta
- todos esqueceram exatamente o mesmo número
de parentes na despedida

Crianças confusas, parques vazios
Seus pais declamam as regras do jogo,
Ou descrevem a Terra prometida
(o vindouro paraíso onde ninguém mente)

Cães solitários e a carne crua no chão
Do caminhão de frigorífico retardatário,
Mas apressado

O último capítulo da história
Foi escrito com manchas de sangue

Catadores de lixo limpando o suor da testa
Com a mesma luva rasgada e suja,
Como em qualquer manhã de Domingo

Veremos as lágrimas se misturarem com o caldo humano,
Num "mar-de-rosa"- quase outro "s"-
Banhando milhões de cidades

Chorarei antes
E desejarei que tanto lamento perca sua validade
Como toda arte após voltas da vida...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:43:07 . Por Favor[7]
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003

Não-Amar
O mau de não amar não é ter o coração duro como a cabeça,
Não é não fingir e ser sincero,
Ou ser sem ser

Não são os dias de orgulho,
Ou desenvolvimento intelectual- ainda que verdadeiro
Em meio à desgraça que é o marasmo dos homens

O mau de não amar
É que se acredita em tudo que dizem,
Menos quando dizem "Te amo".

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 20:38:52 . Por Favor[7]
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003

O Menino E O Pato

O menino passeava sozinho, beirando o rio daquele bosque perto da sua casa.
Descalço, como bom moleque, ia matando todas as formigas que enxergava.
No meio dessa caça, um patinho chamou sua atenção:
-Garoto!
Ele não pensou duas vezes antes de atender a invocação:
-Que foi?
-Quer conhecer o começo do arco-íris?- perguntou o pato
-Mas cadê o arco-íris?-olhando para o alto, procurando.
O pato então o puxou com uma pontinha da asa que bem poderia ser uma mão com dedos perfeitos e respondeu:
-É isso o que eu quero mostrar!
Quando o menino se animou, no rastro do patinho, esse último mergulhou na água e continuou seguindo.
-Espera! Como que eu vou por esse rio?
O pato olhou um pouco surpreso, esperando que o menino estivesse ainda perto, mas viu que ele hesitou e disse:
-Pode vir, o rio é rasinho!
O menino respirou aliviado e se preparava para a água; isso respondeu uma pergunta que tinha se repercutido demais na cabecinha dele em pouco tempo.
Pôs o pé e a água estava tão gostosa que ele nem sabia mais o que era hesitação. Ao seu lado, um grupo de girinos parecia cumprimentá-lo com bolhinhas de água incontáveis. Isso gerou tanta alegria que o menino não pensava mais no arco-íris só; pensava como seria a grama do lado de lá do rio, será que fazia sol também à noite? E o que ele ia comprar com tanto ouro? Será que ele ia poder pegar? Será que tinha ouro mesmo? Na verdade, ele acreditava nisso. E assim foi seguindo até que a profundidade do rio lhe passou do joelho. Olhou, olhou e preferiu perguntar:
-Patinho, não está ficando mais fundo?
Este respondeu assim:
-Calma que mais fundo não fica não...
Tranqüilizado, ele continuou. E já pensava em comprar um daqueles carros vermelhos que carregavam lenha; Seria ótimo subir a estradinha com o irmão mais velho dirigindo, ao invés de carregando aquilo tudo nos braços fracos. E ouro valia bastante, se valia!
Mas aí, o rio estava mais fundo que as coxas do menino. E ele perguntou para o pato que ainda parecia saber para onde ia:
-Patinho, está ficando mais fundo?
Ele virou tranqüilo para o menino e gritou:
-Mais fundo não fica não...
A criança não temia maldade do pato. Não porque criança não conhece maldade, que isso é mito! e mito fraco! Esse mesmo, quando o pai ia matar um porco, há uns meses atrás, pediu para o velho usar uma faca maior do que a que tinha sido escolhida só pra ver o porco gritar mais! E fez questão de ver e ouvir tudo - não que o tamanho da faca tivesse esse poder, mas a noção de maldade fora expressada ali, sim! Não também que maldade exista, mas se existir, criança sabe o que é e aprende cedo!
E enquanto lembrava desse dia e da maldade que, de verdade, não fazia mal algum, a água coçou seu peito e o coração deu uma batida de consciência pesada; de quem tinha esquecido de avisar o corpo.
O menino não teve escolha, chamou de novo o pato:
- Patinho, acho que está ficando muito fundo!
O pato agora olhou com atenção para o menino e para o lado que eles estavam seguindo - parecia calcular a distância - e olhou otimista para o moleque:
-Daqui a pouco vai ficando raso, porque estamos passando da metade da distância... Fica calminho, vai ver o arco-íris antes do que pensa.
Aí o menino lembrou que o arco-íris tinha que começar em algum lugar por ali. Mas logo lembrou que o pato ia levá-lo para o comecinho mesmo deste troço, e ficou tranqüilo de novo. A última fala do pato deu algo para o menino pensar e ocupando a cabeça, não tinha medo.
Mas aquele papo parou de fazer sentido de repente, porque no ano passado, o menino tinha ido procurar o começo do arco-íris e ficou cansado de tanto andar e ir parar fora de casa. Ele lembrava disso e pensava que, se ao menos o arco-íris já tivesse aparecido, dava pra acreditar no bicho, mas aqui não! Mesmo que o arco fosse começar mesmo alguma hora, o menino deduziu que ele era grande demais para não ser visto.
Fora isso, a água estava ainda mais funda e o menino começava a respirar com aflição. Então ele decidiu que daria meia-volta sem avisar o pato. Porque esse agora dava medo no moleque.
Quando, pouco depois, o pato sentiu a falta dele, se virou para olhar o que estava acontecendo e viu que o rapaz estava com medo.
Resolveu que era melhor deixá-lo ir. Pois aprendera sozinho a sentir a presença do medo, achou melhor que ele voltasse sem questionar nada.
O medo é a coisinha mais subjetiva do mundo. E quando se faz presente só quem o invoca sabe lidar com ele; e isso o pato tinha aprendido, só com ele e a vida mesmo.
Só que o menino voltava pelo lado errado. Ora, quando o pato resolveu deixar ele ir, não resolveu que ele fosse pela direção errada...
Aí, gritou:
-Para! Se você quiser voltar, pode ir, mas siga aquele monte com uma listra branca no meio! Assim você vai indo pro lugar errado! E é muito perigoso!
O garoto se assustou ainda mais com o fato de o pato não tê-lo chamado de novo para o Arco-íris, nem ter pedido uma satisfação pela atitude tomada de ir embora, mas ter feito questão de ditar um caminho de volta para ele.
A idéia de maldade estava suficientemente clara para ele; agora ele ia era voltar e pelo caminho que achava melhor. Não ia se render à maldade do pato de novo! E a última atitude do animal deixou bem claro que eles iam para outro lugar, e tinha nada a ver com o Arco-Íris; e ele nem queria saber onde era!
Sentia-se mais seguro por estar voltando para casa; e a mãe só ia mandar ele pendurar a roupa no varal, para que amanhã já ficasse sequinha.
Ele sentia a água voltar a ficar rasa e percebeu que, de fato, não estava seguindo a mesma direção da ida e ia parar em outra parte do bosque. Mas era pouca coisa mais longe, era outra parte conhecida dele e dali ele ia embora rapidinho!
Quando faltava apenas os joelhos para chegar no chão seco, o pato gritou forte - na verdade ele vinha gritando há tempos, mas esse era o grito mais desesperado que o pato soltou, repetindo sempre a mesma frase:
-Não por aí! Mais à direita!
E esse grito falava assim:
-Cuidado com o buraco! Vai pra direita!
Quando ele ouviu essa história de buraco, ficou atento; não porque acreditava que tinha buraco, mas porque era precaução...
E quando ele menos esperava, quando o fundo parecia muito firme, desabou feito buraco oco. E era isso o que era mesmo. Nem deu tempo de pedir a mãe. Pareceu que foi sugado, e é isso o que ele falaria hoje, contando essa história fantástica.
Antes de morrer afogado, ele pensou que depois de mais de 10 anos de vida, ele ainda não aprendera a aceitar ou recusar uma idéia alheia. Não no grau, ou momento certo. E decidiu que era um vício não prestar atenção a isso e que, se sobrevivesse, com certeza faria isso...
Mas não sobreviveu.
Morreu sem saber o quanto se deveria deixar influenciar pelos outros e o quanto deveria agir sozinho.

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 22:26:17 . Por Favor[7]
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sábado, 1 de fevereiro de 2003


Nessa postagem, vou colocar alguns versos que saíram da minha cabeça perdida durante uma viagem:

Elaine

Elaine é sorridente,
Sempre está feliz

Ela é a forma ignorante
-que queria ser natural-
da liberdade

O mais profundo
Que já alguém chegou em Elaine
Foi na sua parede vaginal


Mancha

Tinha uma mancha na areia,
Sob aquele Sol que dizia a verdade

Veio uma onda,
Cobriu-a mas não apagou
Veio outra onda,
Cobriu e não apagou...
Mas veio uma terceira onda
E apagou pra sempre aquela mancha
E tudo o que ela significou para mim.

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:57:35 . Por Favor[2]
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terça-feira, 7 de janeiro de 2003

EIS O MAIS NOVO PERÍODO LITERÁRIO DA HISTÓRIA

Aos adeptos desse, desejo algo muito mais eterno que a morte

O SUPERFICIALISMO

Fatores políticos
*Era da globalização
*Marketing
*Brasil pentacampeão de futebol mundial

Causas:
A busca por diferenciação de movimentos (contra) culturais vigentes, que têm, em geral, um caráter crítico, filosófico ou político.

Características:
*Parecer X Ser
*Depressão X Otimismo
*Emoção X Razão (emoção= choro)
*Desvalorização do conteúdo e da crítica em geral
*Auto-ajuda
*Queda na média etária dos autores

Parecer X Ser (A característica mais importante do movimento)
Como o nome do movimento sugere, não foi buscada uma diferença ideológica ou filosófica; mas sim uma diferença APARENTE. Não há apoio a reflexões ou qualquer tipo de introspecção; Foi adotado pelos seus representantes um perfil de isolamento, tristeza, culpa, etc.

Depressão X otimismo
Esse movimento apresenta não um conflito, mas duas importantes facetas contrárias. Ora textos de tristeza e lamentações, ora textos de otimismo e auto-estima.

Emoção X Razão
O critério para emoção não coincide com a definição da psicologia -refletindo a desvalorização dos valores científicos-; São consideradas emoções aquelas que levam ao choro -um fenômeno aclamadíssimo-, ou seja, sentimentos de caráter mais crítico como revolta, fúria, indignação, não são considerados.

Desvalorização do conteúdo e da crítica
Todo trabalho e análise sobre um texto, toda busca por conteúdo está desvalorizada. A escrita é uma ferramenta de aparência, apenas. Não é mais um elemento artístico.
A filosofia vai mais longe ao se escrever sobre lentes de contato sujas.

Auto-Ajuda
Os índices de venda de livros de auto-ajuda também refletem a faceta "depressiva" desse período, na busca por consolo em idéias de fácil entendimento:
Autores como Paulo Coelho, Dráuzio Varella e Marta Suplicy são os que mais vendem devido à maneira simples de escrever e pensar.

Média da faixa etária dos autores
Se, em movimentos anteriores, a idade média era de 35-60 (considerando as obras de maior repercussão e contribuição na formação de períodos literários), agora ela é cerca de 12-25. A falta de contato com a literatura e a cultura em geral mostram a despreocupação com conteúdo.

Os autores que não possuem essas características -valorizam o conteúdo, consideram a literatura uma verdadeira arte -continuam com seus notáveis trabalhos, em uma corrente paralela, intacta em relação a esse movimento; basta observar as diferenças.

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 10:28:46 . Por Favor[17]
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2002


O Terceiro

Sentado na praça,
Os mesmos pássaros de sempre
Se alimentam do mesmo nutritivo chão;
Pôs o livro de lado e sentiu:
Os ventos trazem algo novo...

Eram dois e tentaram se esquivar
Mas os olhos verdes não tinham esse poder
Aceitaram, sinados, o chamado
E responderam sem saber de iam,
Ou como

O momento não pedia sequer palavra
Pois, repousou as energias mais sublimes
Queria lançar fora as mão tremidas!
Fora duma expectativa ardente
E demasiado colorida

Agora eram quatro,
Interagiam como se fosse todo dia
Que a simplicidade e a surpresa
Se tornam uma (nunca se tornam!)
Num vôo belo e previsível vôo
De olhos precocemente saciados

Se oharam só um pouco mais
E as almas iam se conferindo
A certeza era a próxima sensação...

Depois do beijo mais puro,
Mais milimetricamente perfeito,
Da aceleração forçada na evolução das coisas ao redor,
Pouco depois...
Ela foi embora e disse
Que era engano

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:50:18 . Por Favor[7]
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Escravo

Pintou o mais belo quadro
Que a história já viu
Redigiu os poemas mais sensíveis
Do que era possível sentir
Descobriu os segredos mais mórbidos
Desde a criação
E, por mérito, Assaltou o orgulho
Como ninguém

Fez pulsar o cérebro de uma prole
Que era sua obrigação
Enfeitiçou a natureza e foi enfeitiçado de volta
Harmonizou melodias
Que nenhum ouvido sonhara ouvir
Voltou mesmo antes de ir

Morreu como um idiota
E, por ter dado passos a frente,
Antes do que deveria

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:38:41 . Por Favor[1]
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segunda-feira, 18 de novembro de 2002

Sabem qual a cor da tristeza?
branco

Sabem qual a cor da raiva?
vermelho

Sabem qual a cor do pranto?
turquesa

Sabem qual a cor da verdade?
Nenhuma

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 16:28:58 . Por Favor[4]
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sábado, 16 de novembro de 2002

Fim

Força, para todos os lados
De todos os jeitos
Em todos os meios

O menino é forte
A força é pouca
Mas é

Mais um puxão
-Respira fundo, Dona!
Só mais um pouquinho...

É mesmo forte...
Nasceu,

Um a menos

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 05:06:52 . Por Favor[1]
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sexta-feira, 15 de novembro de 2002

O Dia do silêncio

No dia do silêncio
Ecoar-se-ão gritos mudos
Como os de flores torturadas
De presente aos amantes

No dia do silêncio
As crianças não vão brincar
Seus sorrisos serão trocados
Por traços frios de sangue e medo

No dia do silêncio
As aves voarão para o Sul
Em tamanha e espantosa velocidade
Que logo terão dado a volta completa

Sua liberdade girará 360 graus

No dia do silêncio
Calarão nossas perguntas
E aquela mania feia:
"O quê?", "Por quê?", "Pra onde?"

No dia do silêncio
Agiremos em verdadeira harmonia
Da maneira mais passiva
...e justa possível

Nesse dia do silêncio
Deus vai se despedir
E se encontrará com o Sol
Que acabara de acordar

Sua liberdade girará 360 graus

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:00:04 . Por Favor[0]
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Quem?

Vestígios de arte
Desfiguradas na parede
Indo embora com a esperança.

Agora quem vai me acordar à noite
E lembrar que eu usufruo a vida
No mais líbero sentido desta?

Quando ficam marcas
Pedindo um amanhã
Que as apagará
Quem vai esperar comigo?

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 14:54:52 . Por Favor[0]
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Esse texto é horrível:

Mais Bonito

O que é mais bonito
Do que um pôr-do-Sol a dois
Um dia entre sorrisos e bom-olhares
De graça e de ternura?

Que a própria sinceridade,
A sua beleza interior
E sua própria alegria?

O que é mais bonito
Que sorrisos espontâneos
E querer o bem
De quem não conhecemos?

Que a visão
Da Terra, do mar e do chão
Da transcendentalíssima bela vida
Ao alcance de uma mão?

O que é mais bonto?
Que rir do mundo
E ser rido de volta
Sem perguntas?

O que é mais bonito
Que ter tudo isso
E sentir-se sozinho?

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 14:01:16 . Por Favor[0]
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terça-feira, 29 de outubro de 2002

Miséria

Dizem que os pequenos momentos explicam as grandes eternidades da vida.
Pois foi num momento desses que ví o quão grande é a miséria...
Estava num ônibus, vi pela janela:
Um cachorro pobre e mal-tratado pela vida, ainda agora faminto; tentava alcançar um prato de comida por baixo dum portão fechado.
Penso que foi desses erros milimétricos do destino, que devedia nutrir o lastimado.
Está um tantinho longe; ele vira a cabeça, desvira, estica-se ao todo...
Mas a luta é menor do que a fome e o cãozinho desiste.
Era claro que se alguém lançasse os olhos á justiça, ou, simplesmente, ao chão, teria ajudado o esfaimado. Pois esse era também um daqueles momentos mágicos em que almas se guardam por engano, todas ao mesmo tempo, e niguém saiu para interferir na luta contra a fome dessa tarde...
Eis que, quando minha esperança ia que ia, aprece uma sombra com um ar mais do que heróico.
Sim, era um homem!
Era um homem que tinha os olhos vivos e o coração quente...
Mas não tinha braços...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 13:24:36 . Por Favor[2]
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domingo, 6 de outubro de 2002

Gostaria de agradecer às visitas e deixar uma coisa clara:
Se é que alguém achou um texto interessante ao ponto de querer mandá-lo para alguém, saiba que os textos estão aqui para isso.
Espero que vocês consigam tirar algo de útil deles.
Fiquem à vontade para copiar, enviar, guardar, etc.
Se alguém reparar em algum erro de digitação, por favor me avise...
Mais uma vez, obrigado pela visita

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:37:59 . Por Favor[0]
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Uma vez

Uma vez toquei
Uma vez senti
Uma vez fui
Me satisfiz

Uma vez acreditei
Uma vez rí
Uma vez suei
E repeti

Uma vez aceitei
Uma vez obedeci
Pelo menos uma vez
Uma vez eu fui feliz

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:36:29 . Por Favor[1]
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Vozes

1

Eu odeio essas vozes!
Por que não param um minuto?
-Já vou! Já vou!
Não vêem que estou escrevendo?
Estou relatando o quanto são inoportunas
-Já chega! Já chega!
Só mais um minuto!
São ainda mal-educadas
Por que não cantam para mim?
Seria tão mais atraente...
-Só um pouco! Só um pouco!
Não sei que impaciência,
Se hão de ter-me pela eternidade...

2

Ouço o telefone tocar
Ouço alguém atender
Ouço passos no corredor
Ouço dizerem "Há amor".

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:36:11 . Por Favor[0]
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O Bêbado Com O Cigarro

Feliz é o bêbado com seu cigarro
Que vê tudo girando
Só que ao contrário...

Feliz é o bêbado com o cigarro
Que todos os cachorros abanam para ele
E têm um sorriso místico guardado
Que só o bêbado com o cigarro entende

Feliz é o bêbado com o cigarro
Que anda na rua e faz amor com a solidão

Feliz é o bêbado com o cigarro
Que é despercebido na multidão de loucos
E grita coisas ilegíveis
Que só eu entendo: "Est´sou feliz!"

Feliz é o bêbado que faz amor com a solidão
E mais consigo mesmo...

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:35:53 . Por Favor[2]
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A Vela

Vamos ver o que sobrou:
Ah, essa vela!
Eu preciso parar de amar essa vela!

Olha para ela:
Não me ama como a amo
Não me quer como a quero
Não me necessita como a indispenso
Nem me sorri como sorrio a ela...

Teu pavio é tão gélido quanto os corações do deuses nórdicos
E quanto ao Seu coração... bem,
Desse eu não posso falar
(Não falo porque não sei... se o tem)

Eu fico à espreita- como quem aguarda uma paixão
E esta me ilumina,
Me contempla, rí de mim...
Estaria de invejas
Não fosse tua tanta devoção

Me pego de surpresa, às vezes:
Como adoras o que não o tem mais que reflexo do próprio ego?

(Apaga a Vela)

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:35:34 . Por Favor[2]
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A Criança E O Mundo Real

Livre e boba ia a criança
Que se lançava solta ao tempo
E só devia o juramento:
Viver tão como a esperança
Enquanto esta ainda sorria

Crescia bela como a arte
E pulava
E cantava
E sorria
E chorava
Na pura existência, ó baluarte
De quem a guerra não previa

Num pequeno erro da história
A eternidade e seu dado infinito
Gerando vitórias a cada amigo
E o pequeno é pardado nesse lapso de glória
No período que crês "Não existia!"

Abaixo das nuvens, eu vejo
Que a fábula é concretizada
E é pouco tê-la, por vista, julgada
Por um curto e salivante lampejo
De quem outra noite não dormia:

O garoto não é senão a utopia!

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:35:07 . Por Favor[0]
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Dor, sem novidades

Dor de desgosto
Apartir de lágrimas
Malditas e covardes
Dolorosas

Dor no peito
Lágrimas que queimam
Ao respingar de cada uma,
Magma interno

Sangra cada um dos meus póros
Empapussando as lembranças
Banhando meu estúpido corpo
Inundando microvidas parasitas
E inocentes

Meu joelho vira pó
Não agüenta mais um corpo tão frio
Que queima por dentro
Dum paradoxo
Que não espera momento pior

Pedaços de entulho
Passam, um a um, o calor
E todo o ar se desloca
Ao fim dum alívio
E princípio doutra dor

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:34:52 . Por Favor[2]
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Anotações

De daqui para a frente
Fugaz e imperfeita,
Acompanhada da percepção

Nada de tão sério
As artes são as primeiras a rir!
Nem tudo para a frente
Nem tudo para sempre
Nem tudo necessário

Prefira um bom chá
A um refinado e belo vinho
Prefira achar
Prefira sozinho
E também perca muito

Despertar à camada protetora, à externa
Elimine a harmonia do subconsciente
Subconsciencie apenas o que é mal
Para que fique bem guardado

Lembre-se de rezar muito antes de dormir
Prum deus e pro outro
Nunca se tem fé demenos

Só não confunda as orações...
Isso não!

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:34:33 . Por Favor[0]
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Poliglota Analfabeto

Vamos comemorar esta
A tua força que me atinge de maneira
Que já me esqueci como começou
Como cada pedaço do meu corpo se desintegrou

De dia quando o Sol te queima
Teus olhos brilham de tão ingênuos!
Tal poliglota analfabeto,
Como eu gosto de você!

Gosto de maneira que me dou
Selando o início do fim de minhas idéias
Depois procuro as respostas
Num Livro infantil

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:34:13 . Por Favor[0]
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...Vai

Vai, mas traz de volta minha capacidade de sorrir
Porque é cada dia mais difícil eu mentir para mim mesmo
Estou sobre campos que me florescem e distraem
E minha lágrimas hidratam as células desses vegetais pessimistas

Pode um homem, o Razão, encontrar-se ou perder-se em si mesmo?
Pode, o Razão? Por que temo infingir a lei
E agoro rasgo minhas vestes, aqui o meu desgosto, CONSIDERE!
Vou fechar os olhos e mergulhar na superficial realidade

Estenda as mãos e repita algumas palavras,
Me leve de volta ao transe da fé desnutrida
Nas minhas mãos escorre o arrependimento
Mas eu não escolhi, não fiz, não desfiz, por quê então?

É noite, é dia, é sangue, é uma contração
É um ar que não entra no pulmão nem sai para poluir o planeta
São dúvidas, ou convicções de que nada sei
Nada aprendi e nunca vou ser
Ou fazer, desfazer, escolher
Morrer

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:33:52 . Por Favor[5]
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Nada a ser considerado bonito

Nenhum romance, Nem uma beleza
Só uma espada nova
E um lançador de mortes
Nada que fuja da minha trajetória enfadonha
Para nenhuma direção

Tempo para meditar- isso eu tenho!
Metaforizar,
Inutilizar meus pensamentos
Tempo para voltar

Metabolizar,
Entreter e preparar
Prosseguir com e sem chorar
Me equipando para uma batalha
Que nunca vai começar

Confusão tremenda, és!
Antes deixastes respostas
Que fossem perfeitas
Como os rastros de uma serpente
Solitária no deserto quente

Tudo mórbido e ainda não sei nada
Nem porque minhas idéias
Deram errado outra vez
Elementos da paisagem de onipresença cotidiana
Sem nenhuma diversão

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:33:35 . Por Favor[0]
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O Segundo

Procuro só uma palavra
Que expresse todo o meu desânimo
Vou perambular por toda a linguagem
E sei, encontrá-la embaixo do meu nariz

O segundo homem mais feliz do mundo
E uma palavra tão bem isolada
Longe, discreta e esquecida
Pobrezinha não deve valer nada

Não sei o que pensar
Mas já sei o que escrever
Quero encerrar com esta palavra
Que explica tudo de cima, por cima

O segundo homem mais feliz do mundo
E uma palavra tão bem escondida
Confusa, concreta e insegura
Pobrezinha, é só a minha VIDA

enviado por Farsa - Farsa Bípede ás 15:33:15 . Por Favor[0]
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